Madredeus foi pensado de cima a baixo como um produto para vender, e vendeu. O Fausto, numa entrevista, o jornalista perguntou-lhe o que achava de Madredeus. Ele ficou muito calado e disse: ‘A música portuguesa também tem de ter o seu Mateus Rosé.’ É genial.

José Mário Branco numa entrevista. Eu nunca soube dizer bem o que achava dos Madredeus: tinha uma ideia, sobretudo nas canções da maturidade, de um postal ilustrado que agradasse aos turistas estrangeiros, aquelas camas rosáceas e alaranjadas onde deitar em sossego tão doces vogais, blá blá blá, nenhuma casca, nenhum caroço, nenhum osso, nenhuma espinha — e agora o Mateus Rosé veio resolver-me o problema. Não e má experiência, mas não é bem vinho; um quase vinho ou quase refrigerante para quem não gosta de vinho mas quer ser visto a beber vinho sem ter que sofrer com isso.